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sexta-feira, fevereiro 10, 2012

D de Desabafo

(Schäuble’s lament, in English below


Pobres ministros, alvos de escutas e mirones em todo o lado!  
Cada palavra, cada olhar, cada gesto é examinado sob o implacável microscópio da comunicação social e das redes sociais.  
Dito isso, valia a pena comentar o desabafo do Ministro  de Finanças alemão Wolfgang Schäuble que os membros do  Bundestag e a opinião pública alemã não acreditam nas decisões relativas à Grécia.  

Como se pode interpretar isto?  

Primeiro, parece que os alemães ainda não aceitam a sua quota parte de responsabilidade como credores irresponsáveis, a permitir que os bancos alemães fossem os mais alavancados da Europa e não só. Parece que a crise ainda não chegou suficientemente fundo para chamar os credores à responsabilidade, e os líderes alemães não tiveram coragem para assumir algumas verdades inconvenientes perante os seus eleitores.  

Depois, parece que a solução imposta no caso da Grécia  não convence, nem aos próprios alemães. A forte austeridade interna é combinada com um fortíssima tosquia aos credores privados, um Default que não é Default. Deixa-se ilesos os credores oficiais que são cada vez mais importantes.  Isto ainda não vai à raiz do verdadeiro problema da divergência da competitividade entre os países da Eurozone, pois os países sobre-endividados continuam sem os mecanismos de ajustamento essenciais

Terceiro, ninguém gosta de ver a triste desordem nas ruas de Atenas, mas quem se pode surpreender com isso?  Talvez os alemães não  conheçam o nosso velho ditado que "em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão", mas recordam certamente o tumulto social que pode resultar do sobreendividamento. 

As decisões e soluções relativas à Grécia serão tanto mais credíveis quando mais aderirem à dura realidade de que os sacrifícios têm que ser partilhados com os credores, e de que o ajustamento das frágeis economias periféricas terá que ser reflectido num ajustamento inverso nas fortes economias centrais.  


Mariana Abrantes de Sousa 
PPP Lusofonia 
Testing the limits of divergence 
How is Europe NOT like America in a crisis 



Schäuble’s lament

Pity the ministers, always the target of eavesdropping and prying eyes!
Every word, every look, every gesture is examined under the unforgiving microscope of media and social networks.
That said, it may be worth commenting the outburst of the German Finance Minister Wolfgang Schäuble who said that the members of the Bundestag and the German public do not believe in the decisions being made relating to Greece.

How to interpret this?

First, it seems that the Germans still do not accept their share of responsibility as excessive lenders, having permitted  German banks to become the most leveraged in Europe and beyond. It seems that the crisis is not yet deep enough to call the creditors to account, and the German leaders are afraid to place these inconvenient truths before their voters.

Further, it appears that the solution imposed in the case of Greece does not convince anyone, not even the Germans themselves. Strong domestic austerity combined with a severe “haircut” to private creditors, in a non-Default  Default. A solution that  exempts the official creditors who are taking over more and more of the debt.  But this does not yet get to the root of the problem of divergence in competitiveness among the countries in the Eurozone,  since the over-indebted countries continue without the necessary adjustment mechanisms.

Third, although nobody likes to see the sad disorder on the streets of Athens, who is surprised by it?
Maybe the Germans don’t know the old Portuguese saying that "in a home without bread, everyone gripes and no one is right", but they certainly should be able recall the social turmoil that can result from over-indebtedness, from their own experience.

Decisions and solutions for Greece will be all the more credible to the extent that they respect the harsh reality that  sacrifices have to be shared with creditors, and that the adjustment of the fragile peripheral economies have to be matched by reciprocal adjustments in the strong export economies such as Germany and the Netherlands..

Mariana Abrantes de Sousa